
".....is it cow shit or is it my beloved????" com esta pergunta em forma de canção começa o filme "Sweet Movie" (1974) do realizador sérvio Dusan Makavajev. A partir desta magnifica deixa, podemos logo ter um pequeno "cheirinho" daquilo que o filme nos irá reservar. Como é facilmente observável a frase refere duas coisas: "amor" e qualquer coisa de nojento("cow shit)..............
Estas duas palavras podem definir superficialmente dois dos elementos chave da obra que são o amor/sexo aliados a um erotismo contra-natura/nojento. Para além desta minha avaliação que releva o casamento cinematográfico do erótico com o repulsivo, existe também um grande manual de avaliação política. O poder deste filme reside na forma de como este entrelaça duas histórias que são respectivamente (e tematicamente diferentes) uma crítica ao capitalismo dos EUA e ao totalitarismo Soviético. Pela análise política que Makavajev faz podemos ver uma possível atracção pelo Marxismo puro e não a aplicação soviética de Lenine e seus sucessores. Maioria das sequências do filme são marcadas por um constante "crescendo" de bizarria e crueldade sexual. Toda esta loucura puramente visual e poética serve para nos lembrar que o modo de como estas 2 potências foram bastante prejudiciais para o futuro do planeta e da humanidade em sim. A crítica a ambos os pólos é dura, crua,fria,erótica, repugnante e ao mesmo tempo impregnada de um liricismo visionário ....mas nada disto é gratuito! O filme mostra a história da mulher que foi eleita Miss Mundo 1984 por ter sido considerado a mulher "mais virgem" ao cimo da terra, depois disto ela ganha o direito de se casar com um multimilionário que tem um caralho de ouro, enquanto a história prossegue esta mulher fica presa durante o coito(feito no topo da Torre Eiffel) e vai ter a uma comunidade de excêntricos que celebram o nascimento humano enquanto banham um adulto com fluidos corporais.........
A outra história paralela mostr
a uma mulher que navega num Barco que tem a face de Karl Marx incrustada na proa, um carteiro ciclista com o nome de "Luv Bakunin" entra para dentro do barco e continua a viajem "sem rumo" com ela.........mais tarde ela diz-lhe que se ficar apaixonada por ele o irá matar, mas este não se importa e ela acaba mesmo apaixonada.................e ele brutalmente mutilado com um picador de gelo enquanto estava dentro de uma caixa de açúcar......O que revela o génio de Makavajev é a forma de como ele consegue entrelaçar política/sexo/ filosofia tudo dentro de uma relação reciproca que culmina num verdadeiro orgasmo artístico! Para além de todas estas qualidades visuais e mensagens subliminares, o filme tem também um impacto visual "seco" devido a crueza e frontalidade de algumas das sequências, que simultaneamente nos chocam e atraem. Esta tal qualidade "seca" que referia anteriormente é para mim totalmente intrínseca dentro da obra. O filme tem um fulgor muito próprio que prima pela extravagância. Makavajev é para mim o mais menosprezado realizador da história, pois o seu surrealismo e o seu gosto de "meter o dedo na ferida" está ao nível de Buñuel............

Sem comentários:
Enviar um comentário