
Vi recentemente aquela que é para mim a mais magnífica obra-prima do prestigiado realizador da pátria de Voltaire, Jean-Luc Godard. A obra em questão é Alphaville(1965), e utilizando um rótulo(estúpido) e bastante comum, é aquilo a que eu gosto de apelidar de uma sátira aos regimes totalitários disfarçada de film-noir combinado com uma suposta ficção-cientifica low budget. Apesar de prestar uma declarada homenagem ao género policial, a obra fornece também um autêntico atentado ás convenções deste mesmo género, revelando assim o carácter revolucionário da película. Para além disse temos também uma amiúde incidência sobre jogos fílmicos e um modo de filmar totalmente inovador dentro da narrativa visual. Este carácter experimental surge devido a forma de como Jean-Luc Godard tentava combinar diversos e dispares géneros cinematográficos e também devido a forma de como ele anexava a sua ideologia política a um determinado contexto artístico(ele era marxista). Tentado ser o mais linear possível: o filme narra a história de um homem de gabardina(que pode ser um espião ou um detective) que chega a uma cidade(Alphaville) para conhecer um tal Professor Von Braun(possivelmente para o matar ou resgatar daquela cidade). Também nos é dita outra coisa, que o homem da gabardina veio dos Planetas Distantes(ou seja, aqui é aplicado o contexto de ficção cientifica). A câmara(preto e branco granulado) vai desfilando pelos apartamentos e vias rápidas mais modernas , estes filmados a noite para extrair um ambiente o mais futurista possível da paisagem urbana(a obra foi filmada em Paris).
De salientar também a prestação de Anna Karina na pele do único ser que se salva de Alpahville, para além do detective/agente.
Todo este banquete visual é complementado por pequenas referencias a regimes totalitários da história (o mostrador do elevador que tem as inicias SS, por exemplo). Em Alphaville os habitantes vivem como autómatos controlados e desprovidos das mais puras emoções humanas, vivendo apenas para obedecer a ordens e a uma forte hierarquia. O agente secreto consegue destruir o computador-mãe que controlava Alphaville injectando-lhe poesia..............................................
Godard disse também que este filme lida com os seus problemas matrimonias com Anna Karina, e pode ser visto na forma de como as pessoas deste filme aparentam ser frias, cruéis e desprovidas de fraternidade.

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